quarta-feira, 21 de maio de 2014

Obras da Copa do Mundo - o retrato do Brasil (atualizado em 21 de maio)

A preocupação com Segurança do Trabalho no Brasil nunca foi uma das prioridades. Acidentes fatais nos locais de trabalho sempre ocorreram e continuam acontecendo dia a dia, já que nossa sociedade só consegue reagir ou tomar uma ação sob a coerção de uma lei. E para a Segurança do Trabalho temos uma infinidade de leis e regulamentos técnicos que são seguidos por poucas empresas ou somente quando são fiscalizadas. O setor mais preocupante em termos de Acidente do Trabalho é o da Construção Civil, em que empresários, técnicos, sindicatos e operários fazem o mínimo pelo ambiente seguro.

O retrato de toda essa realidade, está escancarado na mídia nacional e internacional. Nesse dia 29 de março ocorreu mais uma morte de um operário vítima da falta de segurança da nossa sociedade e dos canteiros de obra espalhados pelo País. Fabio Hamilton da Cruz sofreu uma queda das arquibancadas em uma altura superior a 8 metros e faleceu. Nesse momento aparece a solidariedade do povo Brasil, que está se acostumando com as tragédias. E pouco se aprende com a dura lição que um acidente fatal pode nos proporcionar.

No dia 8 de maio o operário Mohammad Ali Maciel Afonso, de 32 anos, foi atingido pela descarga elétrica quando instalava uma luminária em um corredor da Arena Pantanal. Ele chegou a ser atendido por uma equipe de emergência e faleceu antes de ser levado para o hospital.

Ao todo foram 9 mortes na construção dos Estádios da Copa: 3 no Itaquerão em São Paulo, 4 na Arena Amazônia, 1 no Mané Garrincha em Brasília e 1 na Arena Pantanal em Cuiabá. Nas obras para a Copa de 2010 na África do Sul, foram 2 mortes na construção dos estádios. Nossos números surpreendem, e lembrar das campanhas no início das obras em que ex-jogadores davam palestras de segurança do trabalho (uma boa estratégia de marketing, porém muito pouco eficaz se não houver uma mudança de cultura dentro das empresas). Parece não ter dado muita sorte, e por falar em sorte vamos continuar torcendo para não haver mais mortes. No país do futebol, só nos resta torcer para não haver mais acidentes, já que prevenção não faz parte da nossa cultura.


Foto: Área do Itaqueão onde o operário se acidentou, na manhã deste sábado, é isolada pela polícia.
Fonte: Danilo Lavieri/UOL



Vítimas fatais de acidentes do trabalho durante a construção dos estádios da Copa de 2014.


Operários mortos no Itaquerão
  • Fabio Hamilton da Cruz, 23 anos, 29 de março de 2014
  • Ronaldo Oliveira dos Santos, 44 anos, em 27 de novembro de 2013
  • Fábio Luiz Pereira, 42 anos, em 27 de novembro de 2013
Operário morto no Mané Garrincha
  • José Afonso de Oliveira Rodrigues, 21 anos, em 11 de junho de 2012
Operário morto na Arena Pantanal
  • Mohammad Ali Maciel Afonso, 32 anos, em 8 de maio de 2014
Operários mortos na Arena Amazônia
  • Marcleudo de Melo Ferreira, 22 anos, em 14 de dezembro de 2013
  • José Antônio da Silva Nascimento, 49 anos, em 14 de dezembro de 2013
  • Antônio José Pita Martins, 55 anos, em 7 de fevereiro de 2014
  • Raimundo Nonato Lima Costa, 49 anos, em 28 de março 2013   

terça-feira, 20 de maio de 2014

Incêndio em edificação contendo móveis Antigos x móveis Modernos

A nova lei de incêndio tem como um dos objetivos o controle dos materiais de revestimentos, é fundamental que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) desenvolva um projeto para classificar todos os materiais de revestimentos e mobiliários em relação a carga de incêndio e a geração de fumaça. Os materiais utilizados atualmente além de terem um maior poder calorífico, acabam produzindo mais gases tóxicos.


O vídeo abaixo reproduz um experimento conduzido pelo NIST no qual são simuladas duas situações de incêndio, na primeira sala todos os móveis e acabamentos são antigos e na segunda sala os móveis e acabamentos são atuais, vejam os resultados e tirem suas próprias conclusões.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Livro: Introdução à saúde e segurança no trabalho

A cartilha "Introdução à saúde e segurança no trabalho" disponibilizado pela OIT é uma excelente referência para o iniciante a área de segurança do trabalho. A cartilha traz conceitos importantes como riscos, perigos, custos dos acidentes e doenças profissionais e traz algumas avaliações de perigos de algumas atividades profissionais. A cartilha poderá ser acessada aqui.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho

A campanha da ILO (International Labour Organization ou Organização Internacional do Trabalho) para o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, que ocorre nesse dia 28 de abril de 2014, destaca o uso seguro das substâncias químicas no ambiente de trabalho. O cartaz da campanha desse ano está exibida a seguir, a data vem sendo utilizada para promover campanhas de redução dos acidentes e doenças no ambiente de trabalho pela ILO desde 2003.


No Brasil, a data ganhou um outro significado a partir da Lei 11.121 de 25 de Maio de 2005 que instituiu o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

A campanha da ILO destaca uma grande lacuna na determinação das doenças ocupacionais geradas pelos produtos químicos em virtude da falta de reconhecimento dos diferentes efeitos dos agentes químicos no organismo e no longo período de latência entre a exposição e o surgimento das doenças. No ano passado a campanha focou nas doenças ocupacionais e a dificuldade em relacionar grande parte das doenças ocupacionais com a exposição aos agentes. A campanha ainda destaca que o principal impacto é a invalidez ou a morte.

Um ambiente seguro só é conseguido com a manutenção das concentrações dos agentes químicos dentro dos limites de tolerâncias conhecidos a partir de medidas de controle de ordem ambiental. O material destaca também as políticas públicas em diversos países para a redução dos efeitos dos agentes químicos e apresenta o acidente de Bhopal na Índia. Esse acidente ocorrido em uma indústria química de fertilizantes da multinacional Dow Química foi uma das maiores tragédias causadas pelos homem a partir da manipulação de agentes químicos, na qual cerca de 25.000 morreram vítimas da exposição ao metil-isocianato que foi liberado para o ambiente em uma nuvem fatal, além disso mais de 500.000 ficaram feridas (documentário de Bhopal).

O material finaliza apresentando o esforço mundial da uniformização das informações e conhecimentos sobre os produtos químicos produzidos a partir do GHS (Sistema globalmente harmonizado). O material completo pode ser acessado nesse link.




quinta-feira, 20 de março de 2014

Motorista baleado em tiroteio que ele próprio começou não receberá indenização da empresa

Um motorista que levou um tiro num tiroteio iniciado por ele, após discutir com o gerente por se recusar a cumprir suas ordens, não receberá indenização. A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento ao agravo pelo qual ele tentava discutir decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), que não verificou ilicitude nos atos praticados pelo gerente em legítima defesa, ao responder aos disparos e, por conseguinte, não ter como condenar a empregadora, A.S Transportes Ltda. De acordo com o relator do agravo, ministro Fernando Eizo Ono, o indeferimento da indenização não viola o artigo 932, inciso III, do Código Civil. Além de negar provimento ao agravo, a Turma aplicou ao motorista multa de 1% sobre o valor da causa, revertida em benefício da empresa. É que o trabalhador, ao alegar a incompetência do presidente do Tribunal Regional para negar seguimento a recurso de revista, deduziu pretensão contra texto expresso de lei (artigo 896, parágrafo 1º, da CLT) e, assim, praticou conduta tipificada como litigância de má-fé. Tiroteio O motivo da briga foi um desentendimento do motorista com o gerente, inclusive com ameaças de morte. No mesmo dia, depois da discussão, o gerente foi abordado pelo motorista, que portava arma de fogo e disparou em sua direção, mas errou a pontaria. O gerente, também armado, atirou e o atingiu. Segundo seu relato, o motorista, socorrido e levado ao hospital, "ficou entre a vida e a morte", pois as balas teriam atingido pontos vitais, ocasionando perda da audição do ouvido esquerdo, perda da metade do fígado, perfuração dos pulmões e cicatrizes decorrentes das cirurgias. Absolvido no processo criminal, o motorista ajuizou ação indenizatória por danos morais, alegando que teve a honra atingida com a imputação de crime e o rótulo de assassino. Pediu também indenização por danos materiais, devido à incapacidade para o trabalho decorrente das sequelas. A empresa foi condenada em primeira instância a pagar indenização de R$ 150 mil por danos morais e R$ 5 mil por danos estéticos e absolvida dos danos materiais, por que o motorista não ficou incapacitado para o trabalho. Foi pronunciada, ainda, a incompetência da Justiça do Trabalho para apurar a responsabilidade do gerente. A Transportadora apelou da sentença ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), alegando que a culpa foi exclusivamente do motorista, sem dolo ou culpa de sua parte que justificasse o dever de indenizar, pois o gerente agiu em legítima defesa. O Regional transcreveu, no acórdão, depoimentos de testemunhas. Uma disse ter presenciado a discussão, quando o motorista se recusou a cumprir ordens do gerente e deu uma rasteira nele, que caiu, e os colegas tiveram que separá-los. Outra disse que presenciou quando o motorista passou com a arma na mão dizendo que o mataria. "O incidente ocorrido, por si só, foi insuficiente para gerar a obrigação indenizatória por parte do empregador", afirmou o colegiado, afastando, ainda, o nexo de causalidade, por comprovar que o gerente agiu em legítima defesa, diante de uma situação de injusta agressão. O Regional disse ainda não ver como condenar a empresa, "pois não era possível prever que uma discussão entre empregados se tornaria um verdadeiro faroeste no interior de suas dependências". (Lourdes Côrtes/CF) Processo: AIRR-79100-37.2006.5.02.0026 Fonte: TST

sexta-feira, 7 de março de 2014

Carta Psicrométricas (softwares para Android)

Um importante instrumento para se obter as propriedades físicas do ar é a carta psicrométrica (figura abaixo). Na carta psicrométricas a partir de 2 propriedades físicas conhecidas é possível obter as demais.



Cada carta psicrométrica é específica para uma determinada pressão atmosférica e a partir dela é possível obter a temperatura de bulbo seco, a temperatura de bulbo úmido, a umidade relativa, o ponto de orvalho, a entalpia na saturação, a umidade específica, entre outras.

Existem softwares gratuitos para celulares ou tablets da plataforma Android em que é possível obter dados da carta psicrométrica com bastante precisão. Seguem dois deles que consegui testar e os resultados são satisfatórios:

1 - Psychrometric

2 - Air Lite

Um abraço.